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Uma bênção chamada Lei

Sermão 011

Você acha que lei e graça combinam?  A lei desempenha alguma função, ou funções? A lei é uma bênção ou uma maldição?

A palavra lei soa um tanto forte para alguns. Porém, se compreendida em sua origem e propósitos, compreenderemos seu benefício para cada um de nós.

A lei de Deus é o reflexo de Seu caráter, e isto realmente é um ponto de inestimável valor. Os atributos da Divindade são apresentados pela Bíblia em situações variadas.

Quando Moisés rogou a Deus para ver Sua face, o Senhor lhe respondeu:

“Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum
verá a minha face e viverá. Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do Senhor.”
Êxodo 33:19 e 20

E no capítulo seguinte lemos:

“e passando o Senhor por diante dele, clamou:
Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo, grande em misericórdia e fidelidade, que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado e visita a
dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos
até a terceira e quarta geração.”
Êxodo 34:6 e 7

Ao mencionar os atributos da lei de Deus, as Escrituras usam os mesmos característicos usados na descrição da Divindade. Pôr exemplo o apóstolo São Paulo menciona que

“A lei é Santa, e o mandamento santo e justo e bom.”
Romanos 7:12

Numa das poesias de Davi nós lemos:

“A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma;
o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices.
Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração;
o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos.”
Salmo 19:7 e 8

Encontramos nestas duas citações, vários desses atributos. Isto estabalece finalmente o fato de que a lei de Deus é o reflexo de Seu caráter.

Sendo Deus, eterno, logo Sua lei é também eterna. Assim, dizer ou afirmar que a lei de Deus surgiu no Monte Sinai é muito comprometedor. No Monte Sinai, o Senhor deu Sua lei por escrito, a um povo, cuja sensibilidade espiritual estivera em declínio pelos muitos anos de escravidão.

É bom esclarecer que justamente ao tempo que a história comprova o surgimento da escrita alfabética, ou seja, por volta do ano 1450 a.C., é que Deus assim se manifestou, dando por escrito, algo que já existia e era conhecido.

Homens como Enoque, Noé e Abraão foram fiéis, leais e obedientes a Deus. O que eles obedeceram? No que foram leais e fiéis? É claro e lógico que assim procederam em relação aos preceitos divinos.

Desta maneira, afirmamos que a lei se originou com o próprio Deus. Não só ela é eterna no tocante ao tempo de sua origem, como o é também quanto ao tempo de duração.

Cabem muitas reflexões neste estudo com respeito ao propósito da lei de Deus. Na qualidade de expressão do caráter e do amor de Deus, os Dez Mandamentos revelam a Sua vontade e propósitos para a humanidade. Viver em harmonia com esses santos preceitos é viver em harmonia com o próprio Deus.  Desta forma, Deus concedeu Sua lei a fim de prover abundantes e ricas bênçãos para os Seus filhos. A seguir enumeramos alguns propósitos específicos da lei de Deus:

1. Revela a vontade de Deus para a humanidade

Em sua simplicidade os Dez Mandamentos são amplos e abrangentes. No entanto, apresentam o padrão moral de conduta para a humanidade, idealizado por Deus. Eles definem nosso relacionamento com o Deus - Criador, bem como orientam o relacionamento com os nossos semelhantes. A Lei desempenha um papel fundamental na vida das pessoas, tendo em vista seu bem estar.

2. É a base do concerto divino

Num discurso onde exortava o povo à obediência, Moisés assim se referiu à lei de Deus:

“Então vos anunciou Ele o Seu concerto (aliança),
que vos prescreveu, os dez mandamentos,
e os escreveu em duas tábuas de pedra.”
Deuteronômio 4:13

A base da aliança divina com Seus filhos fiéis estava nos Dez Mandamentos. Vivendo segundo esse padrão de vida, Deus se comprometia em dar bênçãos e prosperidade aos que Lhe fossem fiéis. Sendo a base do concerto divino, Deus gravou-a com Seu próprio dedo em tábuas de pedra.

“E tendo acabado de falar com ele no Monte Sinai,
deu a Moisés as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.” - Êxodo 31:18

3. É o padrão do julgamento divino

Enaltecendo a lei de Deus, assim se expressou o Salmista:

“A minha língua celebra a Tua lei,
pois todos os Teus mandamentos são justiça.”
Salmo 119:172

A lei de Deus estabelece o padrão de justiça, pela qual cada um de nós será julgado. Tiago menciona isto da seguinte maneira:

“Falai de tal maneira, e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade.” - Tiago 2:12

Embora nossa consciência nos diz que devemos proceder de modo correto, ela não nos diz o que é correto. Somente uma consciência aferida com o excelente padrão divino, pode impedir que caiamos em pecado. E não nos esqueçamos do conselho do sábio:

“Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos,
porque este é o dever de todo homem. Porque Deus
há de trazer a juízo todas as obras que estão escondidas,
quer sejam boas, quer sejam más.”
Eclesiastes 12:13 e 14

4. A Lei aponta-nos o pecado e sua solução

A lei funciona como um espelho. Ela mostra os defeitos e falhas de nosso caráter que contrastam com o perfeito caráter de Deus. O apóstolo Paulo afirma:

“(...) Pela lei vem o  pleno conhecimento do pecado.”
Romanos 3:20

É pela lei e seus santos preceitos que podemos perceber atráves da atuação do Espírito Santo, que nossa vida não se harmoniza com a vontade de Deus.

A lei não salva, mas torna-se um instrumento através do qual, o Espírito Santo utiliza-se para convencer-nos do pecado.

Apontando a nossa condição de pecadores, a lei não pode nos salvar, mas nos apresenta o autor da mesma, Aquele que está pronto a perdoar e redimir. Desta maneira, a lei nos indica a Jesus, a fim de que recebamos a salvação. Foi nesse sentido que Paulo chamou a lei de

“(...) Aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé.” - Galátas 3:24

5. Ela provê genuína liberdade, restringe o mal e traz bênçãos

Jesus disse:

“Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.”
João 8:34

Quando transgredimos a lei de Deus não nos achamos em liberdade. Viver segundo os limites da lei de Deus significa liberdade das garras cruéis do pecado que escraviza e destroe. Viver de acordo com a lei de Deus liberta-nos das amargas consequências do pecado.

Os Dez Mandamentos representam um resumo de todos os princípio corretos e aplicáveis à toda humanidade em todos os tempos. Eles são muito mais que simplesmente uma série de proibições.

A lei dos Dez mandamentos não deve ser considerada tanto do lado proibitivo, como do lado da misericórdia. Suas proibições são a segura garantia de felicidade na obediência.

Contemplamos nela a bondade de Deus que, revelando aos homens os imutáveis princípios da justiça, procurava resguardá-los dos males que resultam da transgressão.

Que ao examinar-mos a Palavra de Deus, possamos ser imbuídos do amor de Cristo, e que Este amor possa abrir nossos olhos a compreender que a observância correta da Lei de Deus, é um ato movido pelo amor que sentimos por Ele.

A Lei de Deus, nos Dez Mandamentos é uma grande bênção que Deus deu ao homem.

Louvado seja o nome do Senhor nosso Deus.

 

Texto: Pastor Neumoel Stina